quinta-feira, 3 de junho de 2010

Cristal

Um cristal é um massa homogénea sólida com formas poliédricas limitada exteriormente por superfícies planas. Para referir a forma naturalmente assumida por um cristal, utiliza-se os adjectivos euédrico ou idiomorfo, se o seu contorno é exclusivamente delimitado por faces, subédrico, se o seu contorno apresenta faces e superfícies irregulares e anédrico ou xenomorfo, se não existe qualquer face.
A estrutura interna dos cristais é caracterizada por um arranjo regular das partículas elementares, isto é, átomos, moléculas ou iões, no espaço, de tal maneira que a mesma configuração se repete segundo três dimensões em intervalos regulares, designando-se então a estrutura por malha espacial, retículo ou rede espacial.
Em 1848, Bravais demonstrou geometricamente que somente é possível existirem 14 tipos de retículos espaciais, razão pela qual são também conhecidos como os 14 retículos espaciais de Bravais. A unidade mais simples de um retículo é um paralelepípedo normalmente designado de célula unitária.
Na prática, um cristal nunca apresenta uma estrutura reticular que se ajuste totalmente ao modelo ideal, uma vez que o cristal apresenta uma série de imperfeições (átomos livres, descontinuidades, impurezas).
O estudo dos cristais e das suas redes espaciais permite dividir as substâncias em sete grupos conhecidos por sistemas cristalográficos: cúbico, tetragonal, ortorrômbico, monoclínico, triclínico, trigonal e hexagonal.



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cristal (mineralogia). In Diciopédia. Porto : Porto Editora, 2007.

Conglumerado

Os conglomerados são rochas sedimentares detríticas ou clásticas, consolidadas, constituídas por elementos rolados, de diâmetro superior ao das areias (2 mm).
Formam-se por consolidação, com intervenção de um cimento (calcário, silicioso, etc.), de cascalheiras de elementos detríticos rolados. Os conglomerados, da mesma maneira que as brechas, podem ser monogénicos, se os clastos e o cimento são da mesma natureza, e poligénicos, no caso contrário.
Atendendo ao ambiente em que se formaram, podem-se considerar os seguintes tipos de conglomerados:
- conglomerados de base, quando se encontram na base das séries transgressivas, mostrando a sua origem marinha. São geralmente monogénicos;
- conglomerados glaciários, que apresentam clastos mal rolados, estriados pela abrasão de fundo e ligados por cimento normalmente argiloso. São poligénicos;
- conglomerados torrenciais e fluviolacustres, que são formados em condições de elevada intensidade de transporte, que geralmente é breve, apresentando-se rolados. São poligénicos.





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conglomerado. In Diciopédia. Porto : Porto Editora, 2007.

Combustíveis fósseis

Substâncias formadas, em tempos geológicos recuados, por fossilização de matéria orgânica e que se podem combinar com o oxigénio, libertando energia com elevação da temperatura. Na sua formação intervêm factores como a pressão, o calor, o tempo e a acção de bactérias anaeróbicas.
Os combustíveis fósseis ocorrem na crusta terrestre sob a forma sólida (carvões), líquida (petróleo bruto) e gasosa (gás natural).
Como recursos naturais não renováveis, os combustíveis fósseis encontram-se próximo do seu esgotamento. No entanto, constituem o recurso energético mais utilizado pelo Homem. Cerca de 75% da energia consumida a nível mundial provém dos combustíveis fósseis.
A utilização dos combustíveis fósseis apresenta, contudo, grandes desvantagens, não só para o meio ambiente como também para os seres vivos, de uma maneira geral, e para o ser humano, em particular. No caso do petróleo, cujas reservas poderão esgotar-se daqui por 100 anos, as desvantagens prendem-se com a emissão de grandes quantidades de dióxido de carbono, que é um dos principais poluentes da atmosfera e que contribui para o aumento do efeito de estufa, e da poluição e destruição de ecossistemas aquáticos, devido a acidentes no transporte deste combustível. A utilização do carvão como fonte energética provoca, por sua vez, alterações graves ao nível dos solos, da atmosfera e dos recursos hídricos, principalmente devidas a emissões de dióxido de enxofre que provocam chuvas ácidas e a acidificação dos solos. O uso deste recurso energético é responsável pela emissão de outros gases poluentes, como o dióxido de carbono, que aumentam o efeito de estufa e o consequente aquecimento global do planeta.



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combustíveis fósseis. In Diciopédia. Porto : Porto Editora, 2007.

Bacia hidrográfica

A água da chuva que atinge a superfície terrestre fá-lo em parte directamente sobre a hidrosfera (mares, lagos, rios e glaciares) e em parte sobre o solo das terras emersas. Se nos limitarmos à água que cai nos solos, convém ter como referência uma unidade territorial concreta, durante um determinado período de tempo. As unidades territoriais que se utilizam são as bacias hidrográficas, também designadas bacias de vertente e bacias de drenagem.

Uma bacia hidrográfica é definida em função de um curso de água e constitui a área em que as águas precipitadas são conduzidas para uma rede hidrográfica, ou seja, é a área total drenada por um rio e seus afluentes. Cada rio, pequeno ou grande, tem a sua bacia hidrográfica. Separa-se das bacias contíguas por divisórias continentais, geralmente constituídas por longas montanhas e outras regiões altas.
A rede hidrográfica, também designada por sistema hidrográfico ou de drenagem, é formada pelo rio e por todos os cursos de água de uma determinada região que nele debitam as suas águas, os chamados afluentes.
As redes hidrográficas mais comuns são as dendríticas, que são constituídas por um conjunto de ramos formados pelo conjunto de linhas de água afluentes e o rio principal. Constituem-se em terrenos com alguma homogeneidade, sobretudo na resistência à erosão.
Quando as linhas de água divergem de uma área central, a bacia denomina-se radial. Esta encontra-se principalmente em zonas com cones vulcânicos isolados.
A rede hidrográfica denomina-se rectangular quando as linhas de água fazem ângulos rectos. Este tipo de bacia encontra-se em zonas rochosas que apresentam numerosas juntas ou falhas.
Noutros casos, as águas, em vez de se deslocarem de um curso menor para um curso maior, e assim sucessivamente, não o fazem e podem deslocar-se de um curso maior para um menor e mais tarde voltarem a confluir. Constituem, assim, redes hidrográficas em grade, que os povos anglo-saxónicos designam por "trellis". Estas redes encontram-se em zonas em que há alternância de rochas pouco resistentes e muito resistentes, e podem ser observadas na África Central, no Níger e no Chade.
A intervenção humana junto dos cursos de água pode agravar as situações de risco características destas zonas, como, por exemplo, as cheias. A implementação de planos de bacias hidrográficas, que visam a gestão, planificação, valorização e protecção equilibradas dos cursos de água, constitui uma forma de assegurar uma boa utilização racional das referidas bacias.



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bacia hidrográfica. In Diciopédia. Porto : Porto Editora, 2007.

Ciclio das rochas

http://www.youtube.com/watch?v=J4wemkg57UY

Também designado por ciclo litológico, trata-se de um conjunto de fenómenos geológicos, verificados sobretudo na crosta terrestre, que consistem em movimentos mecânicos e alterações físico-químicas pelos quais, ao longo do tempo, rochas de certo tipo se convertem em rochas de outro tipo, em sequência ininterrupta.
A Terra em geral, e especialmente a crosta, apesar da sua aparente estabilidade, não se encontra em equilíbrio.
A enorme quantidade de energia recebida do Sol, a qual em parte é absorvida pela atmosfera e hidrosfera e numa pequena proporção pela superficie da litosfera, é responsável pela sua dinâmica externa.
No interior da Terra existe também grande quantidade de energia, que deve corresponder a restos da energia calorífica que a Terra tinha antes da solidificação. Esta energia foi gerada por radioactividade e por compressão e reajustes fisico-químicos dos minerais.
Esta energia intensa vai provocar, fundamentalmente na crosta, acções mecânicas (movimentos das placas, orogénese, processos magmáticos, etc.) e reacções fisico-químicas cuja consequência imediata é a dinâmica interna.
Estes dois tipos de dinâmica, externa e interna, sucedem-se ciclicamente sem interrupção. Acontece, porém, que uns fenómenos tendem a estabelecer o equilíbrio, enquanto outros tendem a alterá-lo. O equilíbrio nunca é conseguido, pois a Terra é um sistema aberto que recebe e perde energia continuamente.

Estes fenómenos ocorrem sequencialmente, constituindo um ciclo. As rochas da litosfera transformam-se praticamente umas nas outras ao longo do tempo. Assim, a partir de um magma profundo originam-se rochas ígneas ou magmáticas, incorporando-se os seus elementos solúveis ou voláteis na hidrosfera ou na atmosfera. Os processos de geodinâmica externa, erosão, transporte, sedimentação, originam sedimentos a partir de qualquer rocha preexistente.
Os sedimentos originam, por litogénese, rochas sedimentares. Quando os sedimentos alcançam níveis profundos da litosfera, ocorrem fenómenos de metamorfismo que originam rochas metamórficas. Estas podem chegar a regenerar magmas, fechando-se o ciclo das rochas.



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ciclo das rochas. In Diciopédia. Porto : Porto Editora, 2007.

Chuva ácida

Grandes quantidades de ácidos nítrico e sulfúrico são formadas na atmosfera a partir dos óxidos de nitrogénio e enxofre emitidos pela combustão do carvão, da gasolina e de outros combustíveis fósseis. Isto acontece principalmente próximo das grandes cidades e dos grandes complexos industriais, onde os índices de poluição são mais elevados. A precipitação destas substâncias é denominada chuva ácida desde que o valor de pH esteja compreendido entre os valores 4,0 e 4,5. Em casos extremos, o pH pode ser inferior a 2,0. Estes valores contrastam com a chuva "normal", cujo pH está geralmente compreendido entre 5,0 e 5,6, em equilibrio com o dióxido de carbono atmosférico.

Os ácidos sulfúrico (H2 SO4) e nítrico (HNO3) são potentes fornecedores de iões hidrogénio que implementam uma acidificação do solo, tornando-o impróprio para a agricultura. Muitas vezes, os iões hidrogénio adicionados ao solo não são suficientes para alterar o pH do mesmo, mas, após um longo período de tempo, pode dar-se um significativo efeito de acidificação, especialmente nos solos com deficiente protecção.

A lixiviação também contribui para a acidez dos solos, na medida em que renova os catiões que podem concorrer com o hidrogénio e o alumínio na formação de compostos complexos. O efeito da lixiviação na acidez dos solos é maior nas pradarias e florestas.

As chuvas ácidas são muito prejudiciais aos solos, que se podem tornar improdutivos, e às florestas, pois atacam fundamentalmente as folhas, acabando as árvores por morrer. São um fenómeno altamente nocivo, também, para o património construído, que é muito desgastado, como se pode verificar pelos inúmeros monumentos que a sua acção corroeu.



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chuva ácida. In Diciopédia. Porto : Porto Editora, 2007.

Cascalho

Designação dos elementos detríticos constituintes das rochas sedimentares, também designados por elementos líticos ou litoclastos, de dimensões, segundo a classificação de Wentworth, compreendidas entre os 64 e 8 milímetros. O cascalho tanto se encontra em rochas consolidadas como em rochas desagregadas, às quais confere grande porosidade.



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cascalho. In Diciopédia. Porto : Porto Editora, 2007.

Calcário

O calcário é uma rocha sedimentar constituída por calcite (carbonato de cálcio), incluindo, por vezes, também carbonato de magnésio. Este, pode conter, no entanto, outros minerais de carbonato como é o caso da aragonite e a dolomite, encontrando-se este último mais na pedra calcária dolomítica.

A grande parte das rochas de precipitação química é de natureza carbonatada. A água meteórica não é pura, mas sim uma solução diluída de ácido carbónico. Este é um ácido fraco resultante da combinação da água com o dióxido de carbono existente na atmosfera. As águas pluviais sendo ácidas reagem com os calcários, formando-se hidrogenocarbonato de cálcio, solúvel na água. Por variações de pressão e temperatura, o hidrogenocarbonato de cálcio torna-se instável e precipita sob a forma de carbonato de cálcio, libertando-se dióxido de carbono, constituindo-se desta forma a maior parte das rochas calcárias.
Os calcários podem apresentar estruturas extraordinariamente diferentes e originarem-se em circunstâncias ecológicas muitíssimo variadas, mas a maioria forma-se em ambientes marinhos. Por outro lado, podem ser originados em águas doces de pouca profundidade por precipitação química do carbonato de cálcio ou a partir de organismos com esqueleto calcário (protozoários, coraliários, moluscos, entre outros).
Das diversas formas de calcário existentes as mais importantes são: os calcários comuns, os calcários recifais, os calcários oolíticos, a cré, os travertinos, os calcários lumachélicos e as estalactites, estalagmites e colunas.
Os calcários comuns são rochas compactas com aparência macroscópica não cristalina, constituídas essencialmente por grãos finos de calcite. Apresentam cores diversas desde a branca, negra, bege, amarela, cinzenta, vermelha, castanha e cor-de-rosa.
Os calcários recifais são rochas carbonatadas de origem animal, formadas por restos de polipeiros (coraliários) unidos por um cimento natural calcário.
Os calcários oolíticos resultam da precipitação da calcite em capas concêntricas em volta de partículas finas suspensas na água (argilas e conchas de microrganismos). Os oolítos assim formados têm dimensões semelhantes a ovos de peixes, sendo posteriormente aglomerados por um cimento calcário natural. Estes apresentam geralmente cor branca ou cores de tons claros.
A cré é uma rocha branca, pulverulenta e baça, com aspecto semelhante ao giz, constituída por conchas de microrganismos aglomeradas por um cimento natural de calcário.
Os travertinos são rochas compactas e cristalinas, formadas por precipitação do carbonato de cálcio em fontes termais.
Os calcários lumachélicos são constituídos por conchas de moluscos aglomeradas por um cimento natural calcário ou argiloso. As conchas são visíveis a olho nu.
Por fim, as estalactites são formações calcárias de calcite que pedem dos tectos de grutas e cavernas. Apresentam forma cónica, sendo vulgar a presença de um orifício central por onde circula a água e, em torno do qual, precipita a calcite.
As estalagmites são igualmente formações de calcite que se elevam do solo de grutas e cavernas. Estas não apresentam o orifício central por onde circula a água.
As colunas são formações que resultam da união entre uma estalactite e uma estalagmite.
O calcário é uma rocha sedimentar que, juntamente com o granito, é a pedra mais utilizada no nosso país. Aparece a sul do Tejo e nas zonas de excepção do granito.
Os calcários duros são utilizados para alvenarias e cantarias, pedra para pavimentação e como inertes para betão.
A pedra calcária, ainda se utiliza como matéria prima para o fabrico de cimento juntamente com argila, e no fabrico de ligantes hidráulicos.
O calcário apresenta o inconveniente de constituir uma pedra geladiça, isto é, é uma rocha que fractura por influência da compressão provocada pelo aumento de volume de água quando gela. Este fenómeno designa-se por gelavidez.



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calcário. In Diciopédia. Porto : Porto Editora, 2007.

Arriba

Escarpa de inclinação acentuada (variando entre os 15º e os 90º) situada à beira-mar, formada em consequência da acção erosiva do mar. Geralmente, as arribas são constituídas por material rochoso consolidado, com pouca ou nenhuma cobertura vegetal.

As forças erosivas predominantes nas arribas (abrasão marinha) originam estruturas características como as plataformas de abrasão, as cavernas, os leixões e os arcos litorais. Os fenómenos de abrasão são acelerados quando as ondas do mar transportam sedimentos que, ao chocarem com o substrato rochoso, aumentam o seu desgaste, funcionando como lixas.
As arribas podem ser consideradas mortas ou fósseis, quando já não sofrem a acção do mar, ou vivas, quando ainda estão sujeitas à acção modeladora do mar.



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arriba. In Diciopédia. Porto : Porto Editora, 2007.

Argilito

Rocha sedimentar detrítica consolidada, resultante da consolidação de argilas formadas por meteorização química de vários silicatos. É uma rocha compacta, endurecida e desprovida de xistosidade.
Evolui a partir de lamas argilosas que se tornam compactas à profundidade de cerca de 2000 metros e endurecem à profundidade de 3000 metros. A partir desta fase denomina-se argilito.
Quando puros, os argilitos são brancos e denominam-se caulinos. Normalmente, apresentam minerais associados como feldspatos, micas e até quartzos.
Dependendo das impurezas que possuem, podem apresentar cores diversas. Os argilitos vermelhos são vulgares em algumas formações geológicas portuguesas.



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argilito. In Diciopédia. Porto : Porto Editora, 2007.

Argila

A argila é uma rocha granular com grãos de dimensões muito reduzidas. É um produto da alteração de rochas silicatadas, sendo uma mistura de vários minerais: caulinite, ilite e montemorilonite.
As suas principais características são a sua coerência, a sua secura e o seu estado plástico quando entra em contacto com a água.
Devido às suas reduzidíssimas dimensões, e também porque apresentam em geral a forma laminar, as suas partículas apresentam superfícies específicas muito grandes (massa proporcional ao volume, variando na razão inversa das dimensões da partícula).
A sua composição mineralógica favorece o desenvolvimento de reacções químicas com a água e com os sais nela dissolvidos. Desta forma geram-se importantes forças de superfície que acabam por comandar o comportamento do agregado de partículas, ultrapassando largamente o efeito das forças do peso próprio, denominando-se partículas colóides.

As partículas de argila apresentam cargas eléctricas negativas nas faces e cargas positivas nos bordos. Devido às cargas negativas, as partículas de argila atraem iões positivos (catiões) de sais dissolvidos na água. As moléculas de água mais próximas da superfície da partícula de argila estão submetidas a tensões elevadíssimas, encontrando-se praticamente em estado sólido. Cada partícula pode atrair várias camadas de moléculas de água e catiões até ficar electricamente neutra. Designa-se essa água por água adsorvida.
A expansão das argilas dá-se através da absorção de água. Quando têm água em excesso ocorre a sua degradação, perdendo a argila e a sua compactação e originando suspensão de partículas.

Quando a argila se encontra em contacto com a pedra calcária originam-se margas.
Estas contêm cerca de 35 a 65% de argila, apresentando cor acinzentada.
A argila é a principal matéria-prima da indústria cerâmica. O processo de cozedura da argila origina uma massa muito resistente a nível químico.

Existem vários tipos de argilas a nível de formação: argila residual, que resulta de um processo de descalcificação de formações calcárias, encontrando-se frequentemente no interior de cavernas; argila vermelha que resulta de processos de sedimentação em áreas profundas nos oceanos, tendo uma percentagem muito baixa em calcário e apresentando uma cor vermelha devido à presença do hidróxido de ferro e óxido de manganésio.
Os principais tipos de argila ao nível de uso na construção civil são: a caulinite, apresentando esta o maior diâmetro; a ilite e a montemorilonite, a qual atinge valores de superfície específica mais elevados e uma maior capacidade de absorção de água.
A argila é também a matéria-prima de aglomerados rústicos, tais como o adobe de fabrico artesanal, usado para fazer paredes. Estas paredes são de má qualidade e pouco resistentes, tendo que se lhes juntar um pouco de palha ou de feno para lhes conferir maior consistência.
Outro aglomerado rústico é a taipa que é uma pasta de argila, normalmente usada no fabrico de muros, sendo necessário acrescentar cal para lhe conferir maior resistência. Em geral, este tipo de construção rústica com aglomerados de argila ocorre em zonas onde não existe pedra natural capaz de possibilitar a construção de paredes e muros. Este tipo de construção com argila tem o inconveniente de não manter as características de resistência ao longo do tempo.
A argila é usada também, quando granulada artificialmente, como isolante térmico e absorvente acústico.



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argila. In Diciopédia. Porto : Porto Editora, 2007.




Arenito calcário

Rocha sedimentar lapidificada constituída por detritos do tamanho das areias ligados por um cimento de origem calcária. Distinguem-se pelo facto de o cimento, em geral, de carbonato de cálcio (calcite) fazer efervescência fácil com os ácidos. Se o cimento do arenito for dolomite (carbonato de cálcio e magnésio) a efervescência é menos nítida.



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arenito calcário. In Diciopédia. Porto : Porto Editora, 2007.

Arenito argiloso

Os arenitos são rochas sedimentares lapidificadas constituídas por areias aglutinadas por um cimento natural, que geralmente caracteriza a rocha. São rochas também designadas por grés e muitas vezes são classificadas pela natureza do cimento. Os arenitos argilosos têm um cimento constituído por argilas.

Quando bafejados, dependendo da quantidade do cimento, cheiram a barro.




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arenito argiloso. In Diciopédia. Porto : Porto Editora, 2007.

Areia

São rochas sedimentares detríticas constituídas por detritos de tamanho maior que 0,02 milímetros e menor que 2 milímetros.
A sua composição mineralógica pode ser variada, dependendo da composição das rochas de cuja desagregação resultaram os seus constituintes detríticos. Os materiais componentes das areias resultam da desagregação de rochas mais antigas. Estes materiais, após transporte pela água (areias de sedimentação hidráulica), ou pelo vento (areias de sedimentação eólica), acabam por se depositar.
As areias mais frequentes são as siliciosas, graníticas, calcárias, basálticas e ferruginosas.
As areias são rochas permeáveis, propriedade que se revela nos terrenos arenosos e espessos onde a água se infiltra rapidamente. As areias são insolúveis na água. As areias siliciosas apresentam grande dureza.

Areias basálticas - são areias resultantes da arenização dos basaltos onde com frequência se encontram minerais corados como piroxenas, granadas, olivinas, etc. São geralmente de cor muito escura.

Areias calcárias - são areias que resultam da arenização de rochas calcárias e em que o mineral essencial é a calcite (carbonato de cálcio). Fazem franca efervescência com os ácidos. Podem apresentar como acessórios outros minerais. Se as areias calcárias forem constituídas por uma grande fracção de dolomite (carbonato de cálcio e magnésio) a efervescência não é tão evidente. São geralmente de cor clara.

Areias ferruginosas - são areias resultantes da arenização de rochas com minerais ferruginosos ou resultantes da acumulação de uma fracção ferruginosa, por vezes rica em magnetite, ou contendo óxidos ou hidróxidos de ferro que podem dar a cor amarela ou vermelha às areias.

Areias siliciosas - são areias constituídas por quartzo, que é o mineral mais abundante na crosta terrestre e é muito resistente à alteração mecânica e química. Podem suportar um longo transporte, enquanto que outros minerais são decompostos e depois arrastados em solução. São geralmente de cor muito clara.



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areia (petrologia). In Diciopédia. Porto : Porto Editora, 2007.

Anfíbolas

Os anfíbolas constituem um grupo grande e muito abundante na Natureza de formações rochosas de silicatos minerais. Estes apresentam geralmente uma forma alongada ou acicular, dureza entre 5 e 6, densidade entre 2,9 e 3,5, clivagem perfeita em duas direcções, fazendo ângulos de 56º e 124º e uma vasta gama de cores, predominando os tons verde, pardo e algumas vezes mesmo o tom preto.
Os anfíbolas têm uma estrutura de silicato ligada tetraedricamente para formar cadeias sem fim, em contraste com as cadeias únicas dos piroxenes, com os quais se encontram estreitamente relacionados.
Os anfíbolas estão presentes em muitas rochas ígneas e metamórficas. Estes possuem uma grande gama de composições, cuja fórmula geral é: Z8O22X2Y5.(OH)2, onde

X = Ca, Na, K, Mg ou Fe2+, Mg2+, Mn2+; Y = Mg, Fe2+, Fe3+, Al, Ti ou Mn; e Z = Si ou Al. Os iões hidróxido (OH) podem ser substituídos por flúor (F), cloro (Cl) ou oxigénio (O).

Os anfíbolas podem ser anfíbolas rômbicos, como é o caso da antofilite, anfíbolas monoclínicos, como é caso da cumingtonite, tremolite, actinolite, horneblenda, grunerite, edenite, glaucófano e arfvedsonite e anfíbolas triclínicas, como é o caso da enigmatite.





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anfíbolas. In Diciopédia. Porto : Porto Editora, 2007.

Albufeira

Lago formado pelas águas do mar em que a salinidade pode resultar da infiltração lateral da água do mar ou de uma concentração local. A salinidade varia em função do clima e da frequência das invasões marinhas.

Em ecologia, designa um lago artificial criado por barragens construídas em linhas de água. É um local onde ocorre forte sedimentação, inicialmente de detritos minerais e vegetais arrastados pela corrente. Posteriormente, aumenta a deposição de detritos orgânicos e os seres vivos multiplicam-se, distribuindo-se segundo os níveis térmicos.



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albufeira. In Diciopédia. Porto : Porto Editora, 2007.


Agentes de metamorfismo

O termo metamorfismo designa as alterações na textura e composição química das rochas sobre que actuam os agentes de metamorfismo. Estes são a temperatura, a pressão e os fluidos de circulação quimicamente activos.

A temperatura aumenta com a profundidade e a proximidade do magma.
A pressão é devida ao peso dos materiais suprajacentes - pressões verticais -, ou a movimentos da crosta terrestre - pressões dirigidas. No primeiro caso, a pressão pode atingir o valor de 250 a 300 atmosferas por quilómetro e provoca a diminuição de volume sem alteração da forma. As pressões dirigidas originam deformações, como laminações, foliações, ou folheação perpendiculares à direcção de pressão e, em caso extremo, podem provocar rupturas.
Os fluidos de circulação desempenham uma acção química que é devida a soluções e gases activos que percorrem a rede intergranular das rochas. O principal fluido activo é a água, que contém, muitas vezes, dióxido de carbono, ácido clorídrico, ácido fluorídrico e outras substâncias voláteis procedentes dos magmas.
Os três agentes actuam conjuntamente, mas, em situações específicas, pode ser predominante ou exclusiva a acção de um deles.



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agentes de metamorfismo. In Diciopédia. Porto : Porto Editora, 2007.

Abrasão

O mar ataca continuamente a crusta, erodindo-a nuns pontos e depositando noutros grande quantidade de sedimentos.

A acção erosiva do mar, que se denomina abrasão, é, sobretudo, exercida pelas ondas e pelas marés e produtos sólidos que arrastam. As marés tornam possível que a acção destruidora das vagas se exerça, em altura, sobre uma extensão maior do que aquela em que poderia actuar se o nível do mar se mantivesse invariável.
A enorme violência dos choques das ondas contra a costa alcantilada faz com que a água, ao penetrar nas fendas, actue como cunha, removendo blocos de rocha. Como a água transporta fragmentos de rocha, estes aumentam o seu poder erosivo. A erosão (abrasão) diferencial faz com que no alcantilado se formem frequentemente grutas, arcos naturais, agulhas isoladas, leixões, etc.
Nem todas as costas são alcantiladas. Em muitas zonas, as correntes marinhas acumulam areia que, procedente dos rios, foi trabalhada e distribuída pelo mar. Nas praias abertas, os seixos são muito arredondados. Nas costas onde os movimentos turbilhonares são frequentes dominam os seixos globosos, enquanto que nas costas planas, onde os seixos são muitas vezes deslocados por translação, eles se mostram geralmente com forma achatada. Os grãos de areia, em consequência da erosão sofrida pelos choques, uns com os outros, têm o aspecto arredondado e polido. Esta característica verifica-se mesmo nos grãos muito pequenos (0,3 mm). Nesta dimensão, a maioria dos grãos de areia fluviais não se apresentam polidos, o que constitui um meio para saber se uma formação geológica arenosa foi formada e erodida pelo mar ou pelos rios.
A acção erosiva das vagas nas costas alcantiladas - falésias - provoca o seu constante recuo, alargando-se assim a plataforma de abrasão, que corresponde à região da costa descoberta pelas águas durante a maré baixa e recoberta durante a maré alta.



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abrasão. In Diciopédia. Porto : Porto Editora, 2007.

Energia Nuclear

http://www.youtube.com/watch?v=xM4N8tXtVv8
http://www.youtube.com/watch?v=SlDJDZz9ySY



É a energia libertada numa reacção nuclear, ou seja, em processos de transformação de núcleos atómicos. Alguns isótopos de certos elementos apresentam a capacidade de se transformar em outros isótopos ou elementos através de reacções nucleares, emitindo energia durante esse processo. Baseia-se no princípio da equivalência de energia e massa (observado por Albert Einstein), segundo a qual durante reacções nucleares ocorre transformação de massa em energia. Foi descoberta por Hahn, Straßmann e Meitner com a observação de uma fissão nuclear depois da irradiação de urânio com neutrões.

A tecnologia nuclear tem a finalidade de aproveitar a energia nuclear, convertendo o calor emitido na reacção em energia eléctrica. Isso pode acontecer controladamente em reactor nuclear ou descontroladamente em bomba atómica. Em outras aplicações aproveita-se da radiação ionizante emitida.

Tipos de reacções nucleares
A reacção nuclear é a modificação da composição do núcleo atómico de um elemento, podendo transformar-se em outro ou outros elementos. Esse processo ocorre espontaneamente em alguns elementos. O caso mais interessante é a possibilidade de provocar a reacção mediante técnicas de bombardeamento de neutrões ou outras partículas.
Existem duas formas de reacções nucleares: a fissão nuclear, onde o núcleo atómico subdivide-se em duas ou mais partículas; e a fusão nuclear, na qual ao menos dois núcleos atómicos se unem para formar um novo núcleo.

História
Ernest Rutherford, ao descobridor do núcleo atómico, já sabia que esses poderiam ser modificados através de bombardeamento com partículas rápidas. Com a descoberta dos neutrões ficou claro que deveriam existir muitas possibilidades dessas modificações. Enrico Fermi suspeitava que o núcleo ficaria cada vez maior acrescentando neutrões. Ida Noddack foi a primeira a suspeitar que "durante o bombardeamento de núcleos pesados com nêutrons, esses poderiam quebrar em pedaços grandes, que são isótopos de elementos conhecidos, mas não vizinhos dos originais na tabela periódica"

A fissão nuclear foi descoberta por Otto Hahn e Fritz Straßmann em Berlim-1938 e explicada por Lise Meitner e Otto Frisch (ambos em exílio na Suécia) logo depois, com a observação de uma fissão nuclear depois da irradiação de urânio com neutrões.

A primeira reacção em cadeia foi realizada em Dezembro de 1942 em um reactor de grafite de nome Chicago Pile 1 (CP-1), no contexto do projecto "Manhattan" com a finalidade de construir a primeira bomba atómica, sob a supervisão de Enrico Fermi na Universidade de Chicago.

Toxicidade de radioactivos
A toxicidade baseia-se na radiação emitida pelas substâncias envolvidas na reação nuclear. Assim, tanto o material utilizado, quanto todo entorno serão fonte de radioactividade e, portanto, tóxicos.

Curiosidade
A descobridora da radiação ionizante, Marie Curie, sofreu envenenamento radioactivo, em 1898, por manipular materiais radioactivos levando a inflamação nas pontas dos dedos e no

Aquífero

http://www.youtube.com/watch?v=u25mBYAp9Xs


Um aquífero é uma formação ou grupo de formações geológicas que pode armazenar água subterrânea. São rochas porosas e permeáveis, capazes de reter água e de cedê-la. Esses reservatórios móveis aos poucos abastecem rios e poços artesianos. Podem ser utilizadas pelo homem como fonte de água para consumo. Tal como ocorre com as águas superficiais, demandam cuidados para evitar a sua contaminação. O uso crescente pela indústria, agricultura e consumo humano ameaça os aquíferos e coloca esse assunto na agenda ambiental global.




Tipos de aquíferos

Podemos dizer que existem essencialmente três tipos de aquíferos:

Porosos - a água circula através de poros. As formações geológicas podem ser detríticas (ex. areias limpas), por vezes consolidadas por um cimento (ex. arenitos, conglomerados, etc.)

Fraturados e/ou fissurados - a água circula através de fracturas ou pequenas fissuras. As formações podem ser granitos, gabros, filões de quartzo

Cársticos - a água circula em condutas que resultaram do alargamento de diaclases por dissolução. As formações são os diversos tipos de calcários.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Aqu%C3%ADfero